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07/07/08 » MAIS NOTÍCIAS

Marcos Zordan assume comando da Ocesc

Em assembléia que reuniu cerca de 200 presidentes no auditório do Hotel Mercure, em São José (Km 201 da BR-101), na Grande Florianópolis, no mês de maio, o médico-veterinário Marcos Antônio Zordan foi eleito e empossado na presidência da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc). Zordan sucedeu Neivor Canton, que encerrou mandato de quatro anos à frente do cooperativismo catarinense.

A nova diretoria é formada, ainda, pelos vice-presidentes Adroaldo Lorenzoni (representante do ramo Saúde), Luiz V. Suzin (agropecuário oeste), Pedro M. Bernz (agropecuário litoral), Osnildo Maçaneiro (consumo), José G. Comelli (infra-estrutura), Elizete Pelegrinio (trabalho e escolas) e Francisco Greselle (crédito).

Estimular a intercooperação, intensificar as ações de formação profissional e aperfeiçoar o programa de autogestão das cooperativas catarinenses são algumas das metas do novo presidente da Ocesc, Marcos Antonio Zordan. Presidente da Cooperitaipu (Pinhalzinho) e diretor de agropecuária da Coopercentral Aurora (Chapecó), Zordan tem 30 anos de vivência no cooperativismo. Aos 54 anos, é casado com Dalva Maria Zordan com quem tem três filhos (Marcos Jr, Matheus e Thaís). Gaúcho de Lagoa Vermelha, vive em Santa Catarina há 35 anos. Presidiu a Federação das Cooperativas Agropecuárias de SC (Fecoagro) e participou da administração da Cooper Leite, da Creditaipu, da Agromilk, da Ocesc, presidiu por duas vezes a Creditaipu, entre outras entidades cooperativistas.

Quais são as suas prioridades no comando da Ocesc?
Marcos Antônio Zordan – Cumprir com o programa e orçamento que a diretoria anterior determinou e foi aprovado em assembléia e devemos fazer com que isso aconteça em 2008, reforçando esse plano com aquilo que a gente pensa em fazer que é fortificar cada vez mais a intercooperação, a participação entre as cooperativas nos negócios, a participação da família no cooperativismo, através do Sescoop reforçarmos o Cooperjovem e o Programa Jovem Liderança, que será lançado em SC neste ano, onde jovens dos 16 aos 24 que estejam cursando, ou egressos do ensino médio participem de um curso de dois anos com o objetivo de ativar a liderança no interior e, conseqüentemente, na cidade, pois a carência de lideranças é muito grande no cooperativismo. Outra meta é manter os investimentos em capacitação de dirigentes, colaboradores, e familiares, estreitar o relacionamento entre as cooperativas para evitar atritos principalmente em relação as divisas e, principalmente, a conscientização e a responsabilidade que o associado deve ter em relação a cooperativa e fidelize sua atividade.

O sr. acabou de ser eleito vice-presidente regional Sul do OCB, por Santa Catarina. O que isso significa?

Zordan– Significa que o estado catarinense está sendo reconhecido pelo cooperativismo forte e dinâmico. Representar o Paraná, o Rio Grande do Sul e SC é realmente importante para a Ocesc e nos coloca em evidência para todo o país. É uma oportunidade que devemos honrar e contribuir para melhorar o cooperativismo nacional.

Será possível manter o crescimento de 20% ao ano registrado em anos anteriores?

Zordan – Eu creio que sim. Se nós olharmos que todos os ramos têm crescido, a procura do associado pelas cooperativas tem aumentado e alguns ramos têm se desenvolvido mais do que 20% ao ano, então eu acredito que seja possível.

Esse desempenho tem sido atribuído a vários fatores, entre eles, os investimentos do Sescoop na qualificação de dirigentes, colaboradores e cooperados?

Zordan– Sem dúvida, e agora com a participação do ramo de crédito no Sescoop, temos certeza que, com valor maior que será atribuído para ampliação de treinamentos aos associados, fará com que se concretize o cooperativismo no nosso Estado. Nesse ano devem ser investidos cerca de R$ 6 milhões de reais pelo Sescoop.

O ramo agropecuário responde por mais de 70% do PIB do universo cooperativista. Quais são as atuais prioridades da agropecuária?

Zordan– A agropecuária tem se mantido como o ramo mais importante da Ocesc em termos de faturamento e acredito que para os próximos anos vai continuar sendo o ramo de destaque devido a atividade de grãos, suínos, aves e leite em crescimento em SC.

Depois do agropecuário, os ramos de saúde, crédito, infra-estrutura e transporte são os que mais número de associados e volume de receita apresentam. Porque os demais ramos não acompanham?

Zordan – Eu acredito que o principal problema é a conscientização dos dirigentes e dos colaboradores da responsabilidade da participação na cooperativa. O próprio ramo de transporte não tinha uma participação forte e se tornou quando aumento o comprometimento das pessoas com a sua cooperativa. Então devemos fazer um trabalho para que os ramos “menores” da Ocesc fomentem sua atividade e possam crescer e muito nos próximos anos.


Como o Sr. pretende estimular a intercooperação em Santa Catarina?

Zordan – O que vai continuar dando certo é a união de duas ou mais cooperativas participando de um investimento independente. Temos como exemplo a Maué - na geração de energia, - e a indústria de fertilizantes São Francisco. Essa é a melhor maneira de estimular a intercooperação. Outra questão é o incentivo da comercialização dos produtos ou serviços entre as cooperativas. Infelizmente em Santa Catarina não há essa cultura. Existe até ciúme entre alguns dirigentes que acabam dificultando as relações comerciais. Então nossa intenção é atuar como facilitadores nessas transações.

Quais as principais mudanças e transformações que a Ocesc espera da nova lei geral do cooperativismo, em tramitação no Congresso?

Zordan– O que tem que deixar bem claro é o Ato Cooperativo. Isso vem se arrastando há muito tempo e precisa acontecer o mais breve possível. O Ato Cooperativo deve ser diferenciado de uma comercialização normal entre empresas, porque o cooperativismo presta um grande serviço social para o país. Por isso tem um custo maior. Não podemos ser castigados cumprindo normas fiscais de empresas normais. Não queremos nada que venha em forma de esmola, queremos continuar fazendo esse papel social já que trabalhamos com os pequenos produtores.

Além da nova lei geral, quais as questões que o Congresso precisa votar para modernizar o arcabouço legal do cooperativismo brasileiro?

Zordan – Estamos longe do ideal. O Brasil é muito grande e as regiões muito diferentes. Uma lei geral é válida, porém, cada Estado deverá regulamentar seu cooperativismo dentro da realidade local.